HARDWARE TROJAN - AMEAÇA REAL
HARDWARE TROJAN – UMA
AMEAÇA REAL
Autor : Tony de Sordi
Colaborou : Mauro Gonçalves
Aquela situação que se apresentava apenas
em filmes de ficção científica no passado, ou filmes de espionagem, de repente,
se torna real.
No filme, o mocinho aciona um sofisticado
sistema que permite a ele acessar dados e programas do computador do vilão, e
desta forma roubar seu conteúdo, ou salvar a humanidade da destruição total.
Mas, e na vida real, quem é o vilão ?
Ou ainda, quem é o Mocinho?
Bem, não vou entrar na discussão
eterna do Bem versus o Mal...
Vamos apenas analisar a situação
atual, de um problema cada vez mais real e ameaçador .
O USO DE HARDWARE
TROJAN.
Estamos diante de uma sociedade que
tem sua interação medida em nanosegundos.
Esta absurda e inimaginável partícula
de tempo, em muitos casos, é o tempo que existe entre o pressionar de uma tecla
e o tempo de resposta dado por um
sistema/equipamento.
Mas, tal velocidade nos remete a uma
questão : A segurança de dados.
Tal Segurança é uma questão altamente
complexa, de evolução constante.
Se existem profissionais dedicados a
aprimorar cada vez mais a garantia destes dados, quer em sua origem, quer em
seu tráfego, em contrapartida, outros inúmeros se dedicam a violar e invadir
equipamentos e sistemas, buscando se apoderar de informações.
Do duelo destes dois grupos, surgem
inovações cada vez mais complexas e sofisticadas, em constante evolução.
Dentro do esforço destes dois grupos,
que até então eram voltados para a área do Software, surge agora um novo
desafio.
A possibilidade de implantação de
códigos maliciosos (trojans) em circuitos integrados (chips) durante a
fabricação.
Aquilo que parecia uma mera
possibilidade no passado, hoje, se mostra possível.
A ameaça se mostra causa de
preocupação cada vez maior, na medida em que pode permitir vazamento de dados,
espionagem industrial, ataques de indisponibilidade de sistemas, paralizações
de sistemas, sabotagens, etc...
Falamos de tais problemas não só em
termos empresariais, como também em termos governamentais, com a violação de
segredos de pesquisas, atentados contra sistemas de abastecimento, derrubada de
redes de gestão de sistemas gerenciais até então tidos como seguros e
inexpugnáveis.
Apenas relembrando casos recentes e
famosos mundialmente, podemos citar a troca de acusações entre os E.U.A. e a
Rússia, sobre a possível interferência da última no resultado das eleições
norte americanas.
Ou ainda, mais recentemente, a
acusação da Venezuela de ter seu sistema
de fornecimento de energia elétrica invadido e desativado pelos E.U.A. .
Seria a materialização da ficção da espionagem
e da guerra cibernética.
HARDWARE TROJAN – A
POSSÍVEL ORIGEM
Acima : Chips Manufaturados prontos para recorte,
em formato denominado "Waffer"
Temos de ter em mente, que hoje, com
a cadeia de fabricação de circuitos integrados (chips) globalizada, é comum que
sejam produzidos em outros países, com as implicações que podem ser
relacionadas a esta perda de controle sobre o processo como um todo.
Antes que me chamem de “O arauto do
apocalipse”, ou coisa do gênero, este texto é uma análise de pesquisas e
materiais de estudos já existentes, e desconhecidos do grande público.
O PROCESSAMENTO DA
INFORMAÇÃO
Analisando os componentes de um processo de manipulação e coleta de
informações, podemos analisar as vulnerabilidades de cada componente envolvido.
Partimos do pressuposto de que este
processo envolva um usuário, operando um computador (hardware), dotado de um
sistema operacional e de uma aplicação específica de manipulação de dados.
Vamos iniciar pelo Usuário.
Este, está sujeito a ataques feitos
por meio de engenharia social, que permitiriam a mineração de dados, por
exemplo, disponíveis na Internet e que podem ser coletados por meio de
ferramentas específicas.
Os sistemas por ele utilizados, podem
ser objeto de ações por meio de malwares e macros ocultas, no caso dos
softwares de aplicação, e/ou ainda, no caso do sistema operacional, dos
denominados “vírus” e trojans.
Para o caso do usuário, o
monitoramento constante de suas atividades na internet, e da exposição do mesmo,
podem atenuar este problema de engenharia social.
No caso dos aplicativos e sistemas,
desenvolveram-se programas antivírus e medidas nos sistemas que reduzem o risco
de violações e intrusões.
E o Harware ?
Bem, podemos dizer que este
atualmente é o calcanhar de Aquiles do processo.
Em seu artigo publicado em 2016, “Hardware Trojans:
Lessons Learned after One Decade of Research” (K.Shiao et al.) o autor afirma : “…Research on hardware Trojans has grown
dramatically over the past decade and is expected to continue. In this article,
we reflect on the accomplishments and limitations of prior work, highlight the
current trends, and discuss future directions for hardware Trojan research.”
Ou
seja, a perspectiva, é que estes ataques baseados em HardwareTrojan aumentem, e
se tornem cada vez mais comuns e perigosos.
A dinâmica mais encontrada e
identificada em diversos estudos e análises de cases confirmados, é por meio de
uma alteração deliberada e maliciosa dos circuitos integrados (CI), que visa
provocar um comportamento errático e/ou incorreto do equipamento dotado deste CI,
durante sua operação.
Segundo Bhunia , (BHUNIA et al.,
2014), dentre outras possibilidades, na fase de manufatura, é possível comprometer
o CI a partir de processo baseados em Engenharia Reversa.
Tais modificações feitas no circuito original,
podem ter como objetivo, expor o
hardware ou acessar dados ou software rodando nos sistemas
que utilizam o CI comprometido.
As consequências de operação deste CI
infectado podem ser modificações na funcionalidade, ou em sua especificação enquanto
hardware.
Desta forma, podemos ter o vazamento
de informações sensíveis, fato citado por diversos autores, ou ainda, ataques
de negação de serviço (Denial of Service).
Softwares antivírus , firewall, ou qualquer
outro mecanismo de segurança, seja em software ou hardware, ficam inoperantes,
pois a lógica de operação dos mesmos é subvertida
e alterada, uma vêz que o ataque não tem origem externa, e sim interna.
Uma das formas encontradas para
operar um Hardware trojan, é por meio da implantação de uma matriz de portas programáveis
em campo, que é um CI projetado para ser programado após a manufatura.
Inserido em um CI digamos, “normal”, ele possui blocos lógicos reprogramáveis
passíveis de configuração em campo, seja pelo aplicador (montador do
equipamento) ou pelo projetista após a fabricação (KRIEG et al., 2013).
Mas, como poderia ser este grupo de
blocos lógicos reprogramado sem causar suspeitas ?
Uma das formas possíveis seria por
uma inocente “atualização de software”, comuns e amplamente autorizadas pelos
softwares antivírus.
Sobre tal evento e para aqueles que
busquem informações mais técnicas e se aprofundar na análise de forma mais
detalhada, recomendo a leitura do artigo de KRIEG, Christian; DABROWSKI,
Adrian; HOBEL, Heidelinde; KROMBHOLZ, Katharina; WEIPPL, Edgar. Hardware Malware. Synthesis Lectures
on Information Security, Privacy, and Trust. Williston, USA: Morgan
& Claypool Publishers, 2013.
Mas, vamos em frente….
“MEU SISTEMA ESTÁ
SEGURO !!!” … TEM CERTEZA ?
A pergunta que é feita acima, de
forma um pouco indelicada reconheço, é séria...
Como podemos deduzir pelas leituras
recomendadas e citações anteriores, os Hardwares Trojan na maioria das vezes,
não são desenvolvidos visando um ataque imediato, e podem “suportar ataques”
(KING et al., 2008) realizados por Sotwares e outras formas de tentativas de
detecção.
E podem ser ativados por meio de um
gatilho, implementado posteriormente.
Desta forma, estrategicamente, ao
agente responsável por esta alteração, basta aguardar a oportunidade para lançar
no momento adequado, um ataque.
Um caso emblemático, citado por
vários autores e estudiosos do tema, foi o ataque por aviões israelenses que entraram
no espaço aéreo Sírio, pelo espaço aéreo da Turquia, em 6 de setembro de 2007.
Os aviões bombardearam supostas instalações
nucleares projetadas pela Coreia do Norte e instaladas na Síria.
Inexplicavelmente, o sistema de
defesa antiaéreo da Síria, comprado da Rússia e com milhões de dólares de
custo, permaneceu inoperante.
Os aviões israelenses entraram e
saíram sem ser incomodados.
Vários pesquisadores estudaram o
caso, e a hipótese do sistema antiaéreo
sírio estaria dotado de algum tipo de “backdoor”, inserido
nos chips do sistema, afirmou Qamarina(2017),
ou que um hardware Trojan implementado
nos sistemas sírios, segundo LiI, Liu e Zhang (2016).
Corrobora esta hipótese, o estudo de Moein
et al. (2016), que destacou o fato de que microprocessadores comerciais terem
sido adquiridos para uso no sistema.
Eles estariam dotados de um backdoor
utilizado para desativá-los
no momento oportuno.
Neste caso, segundo Xiao et al.
(2016) a falha teria sido ativada por
meio de um gatilho, pelos atacantes .
Cabe ressaltar que a imprensa chegou
a divulgar ainda suposto envolvimento dos EUA no ataque, segundo Clarke e Knake
(2015).
Desta forma, observamos que podemos
realizar um ataque para o vazamento de informações de redes de comunicação,
como foi o caso Snowden, na área de defesa ou Inteligência que ainda hoje tem graves
consequências para a segurança nacional dos países envolvidos.
Finamente, segundo Anderson, North e
Yiu (2008) instalações e equipamentos
militares poderiam ser atacados.
E por que não os sistemas financeiros
de um país ?
Uma pergunta preocupante.
Finalmente, como leituras
complementares para este texto, onde procurei ser mais acessível e menos técnico,
para não tornar sua leitura cansativa e hermética, recomendo os textos abaixo :
- Hardware
Trojans: Lessons Learned after One Decade of Research
Autores:
K. XIAO, ECE Department, University of
Connecticut
D. FORTE, ECE Department, University of Florida
Y. JIN, EECS Department, University of Central
Florida
R. KARRI, ECE Department, Polytechnic Institute
of New York University
S. BHUNIA and M. TEHRANIPOOR, ECE Department,
University of Florida
- INFECT:
INconspicuous FEC-based Trojan: a
Hardware
Attack on an 802.11a/g Wireless Network
Autores :
Kiruba Sankaran
Subramani
Angelos Antonopoulos
Ahmed Attia Abotabl
Aria Nosratinia and Yiorgos Makris
Department of Electrical and Computer
Engineering, The University of Texas at Dallas, Richardson, TX 75080
- - Trojans
with Logic Testing: Proposed Solutions and Challenges Ahead. IEEE Design
Autores :
Sophie Dupuis
Marie-Lise Flottes
Giorgio Di Natale
Bruno Rouzeyre.
Disponível em :
Test, IEEE, 2018, 35 (2), pp.73-90.
<10.1109/MDAT.2017.2766170>. <lirmm-01688166>
O Autor: Especialista em Segurança de redes,
Consultor, Professor e Palestrante.

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